Krishna em O Mahabharata [trad. Jean-Claude Carrière]

"Resiste ao que resiste em ti.
Sê tu mesmo"

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

[com a licença poética]

Ele disse alguma coisa engraçada. Típico. Ela disse que ele era mesmo um menino. Ele concordou e riu. Ela, cujas palavras eram mais rápidas que qualquer critério, respondeu que nascera velha. Ele riu de novo. Depois o riso se conteve naquele sorriso que mudava o registro pra mais perto de agora-eu-estou-falando-sério-e-é-só-com-você. Você tem uma alma velha.
Ela sorriu, corou, conteve o sorriso e desviou o olhar. diz alguma coisa diz alguma coisa. Não sei se é um elogio ou um... Ela afundava rapidamente. porque eu estou dizendo isso? Alma velha é uma alma que teve muitas reencarnações, que é muito antiga. Ele rapidamente a trouxe de volta à superfície. O sorriso caminhou um ponto pro malicioso. Um ser superior. Ela corou por dentro. Engoliu o sorriso e se arrebanhou de volta pro que estava fazendo.


Ou alguma coisa parecida com isso.
Eu escrevi 340 palavras sobre você hoje. Sem contar estas. Lapidei cada frase pra conter exatamente o que eu sinto. Não posso publicar. É claro demais.

Mas algum dia, quando eu perceber que o mundo não é um conto de fadas e for capaz de ter uma postura um pouco mais realista diante dos fatos, talvez eu te diga essas coisas todas. Talvez a gente possa rir delas.

Ou quem sabe talvez eu me dê conta de que nada disso jamais teve cabimento e queira abrir um buraco no chão pra despejar minha ansiedade.



Só sei que concordo com quem diz, é, Clarice, você tem que resolver isso. Senão eu vou explodir.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

O balconista 2

Hoje vai ser o primeiro dia do resto das nossas vidas.

Nunca gostei dessa frase. Mas quando o Dante falou isso pro Randal no telecine hoje, fez sentido pra mim.

Sabe auqela sensação estranha, aquela angústia profunda que nunca passa, nunca deixa de estar ali na pontinha da respiração que não te deixa relaxar nunca... de que está fazendo tudo por aquele dia, aquele momento, aquela certeza que nunca vem. É esse o dia. O primeiro dia do resto da sua vida.

O primeiro dia. O primeiro dia na escola nova, o primeiro dia dos namorados, o primeiro dia com uma tatuagem, dia de formado, o primeiro dia em outra cidade, o primeiro aniversário do seu filho, o primeiro dia numa cadeira de rodas, o primeiro dia de descanso.


São vários primeiros dias. E são primeiros porque são os únicos dias em que você vive algo pelo qual esperou toda a vida, para o qual se preparou a vida toda, mesmo que seja uma surpresa completa, são dias em que você é inteiro, completamente entregue, completamente entorpecido pela realidade daquele momento, pelo cheiro da rua naquele momento, pela cor do céu, pela veracidade de tudo aquelo que se passa. Esses dias realmente existem. E é por eles que esperamos terrificados, com aquele distúrbio no peito. Mas eles chegam, e às vezes chegam com frequência. São os dias das grandes satisfações, das intensidades, das experiências de pico.